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23/11/2016 voltar

Odontologia e Medicina unidas pelo bem-estar do paciente

Imagem: Reprodução/Internet
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A relação entre Medicina e Odontologia deveria ser natural já que a história da Odontologia nasceu da própria Medicina. O advogado Francisco Carlos Távora de Albuquerque Caixeta, de Belém/PA, em seu artigo sobre responsabilidade civil do cirurgião-dentista, descreveu o início e a evolução histórica da Odontologia no Brasil (In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, 57, 30/09/2008 [Internet]). O autor salienta que "... na Roma antiga, a Odontologia era tida como um ramo da Medicina e não se fazia distinção alguma entre doenças da boca e dos dentes e doenças que afetavam outras partes do corpo. Não obstante, os romanos tinham habilidades para o tratamento de cáries com restaurações, extração de dentes e, nomeadamente, a higiene bucal". Sua pesquisa também teve como base o texto intitulado "A História da Odontologia no Brasil", publicado originalmente no Jornal APCD em outubro de 1995, no qual o cirurgião-dentista, Dr. Elias Rosenthal (1932-2001), entre outras informações, explicou o conceito do verbete "barbeiro" esculpido em um antigo dicionário de Português. Dr. Rosenthal escreveu também o livro "A Odontologia no Brasil do Século XX" (2001) onde abordou, com a colaboração de colegas, as várias fases da Odontologia no país.

Segundo pesquisa do Dr. Francisco Carlos Caixeta, foi no final da década de 1870 que o ensino da Odontologia no Brasil ganhou impulso. O Decreto nº. 7.247, Artigo 24, de 19 de abril de 1879, determinava que Faculdades de Medicina ficassem anexas a uma escola de Farmácia, a um curso de Obstetrícia e Ginecologia e a um curso de Cirurgia Dentária. Assim, os avanços na Odontologia Brasileira foram acontecendo até os dias atuais.

Hoje, restabelecer a saúde física e mental do indivíduo é objetivo comum a várias profissões, o que exige conhecimento multidisciplinar. Quais caminhos trilhar para chegar a esse ponto é o diálogo que a Revista Odonto Magazine inicia nesta edição com a cirurgiã-dentista Itamara Lucia Itagiba Neves.

"A formação multidisciplinar para profissionais na área da saúde deveria ter início na graduação, incluindo estágio curricular em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), unidades especializadas e hospitais. A vivência entre profissionais e as reais necessidades da população traria benefícios incalculáveis, maturidade aos profissionais e trilharia decisões na área de ensino, levando em conta a realidade local", é o que pensa a Dra. Itamara Lucia Itagiba Neves, cirurgiã-dentista assistente da Unidade de Odontologia do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).

O InCor desenvolve vários programas multiprofissionais voltados principalmente à melhora de qualidade de vida dos pacientes. "Temos grupos multiprofissionais que desenvolvem trabalhos com pacientes transplantados cardíacos, com mães de crianças portadoras de cardiopatias congênitas, pacientes diabéticos, tabagistas etc.", explicou. E, como resultado, segundo Dra. Itamara, constatou-se melhor aderência ao tratamento e controle das doenças.

A integração de conceitos que permitem tratar o indivíduo como um todo tem como importância o atendimento ao conceito fundamental do Serviço Único de Saúde (SUS), que prega o atendimento global ao indivíduo e ao conceito de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Inúmeras doenças, como AIDS, leucemias, endocardite infecciosa e diabetes mellitus, têm manifestações bucais que devem ser alvo de atenção do cirurgião-dentista. Inclusive algumas medicações que trazem repercussões à cavidade bucal, como a relação entre anti-hipertensivos e xerostomia, anticoagulação exacerbada e sangramento gengival espontânea.

Não é raro o paciente que procura o cirurgião-dentista com queixa de dor dental em mandíbula, e na verdade o profissional pode estar diante dos primeiros sintomas de um infarto agudo do miocárdio (IAM). A dor em região de mento pode fazer parte da dor irradiada causada pelo IAM. A troca de informações entre dentista e médico depende da postura do cirurgião-dentista frente ao atendimento de seu paciente. Ter conhecimentos da fisiologia das doenças, das consequências relacionadas à doença e ao tratamento instituído, entre outras coisas, é fundamental para que juntos possam traçar condutas individuais para cada caso. No InCor este é um conceito aplicado no dia-a-dia. "Além de desenvolvermos projetos de pesquisa em conjunto, convidarmos e sermos convidados para participação em capítulos de livros, cursos e palestras, contamos com a criação de departamentos de Odontologia em associações médicas", comentou Dra. Itamara Neves.

Hoje, a participação da equipe de Odontologia em um hospital inclui também a atuação em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde o papel do cirurgião-dentista é treinar a equipe de enfermagem quanto à higienização bucal, reconhecer doenças bucais, discutir casos com a equipe médica e intervir quando indicado. Cientes disso, deputados já discutem a obrigatoriedade de cirurgiões dentistas nas UTIs.

Para Dra. Itamara Neves, a atuação do cirurgião-dentista em hospital deve ser entendida como obrigatória. Se o paciente busca o hospital para tratamento de uma doença, certamente esse tratamento envolve a avaliação, diagnóstico e tratamento das doenças bucais, assim como a participação das demais áreas, como nutrição, psicologia, fisioterapia, etc. "No InCor o fluxo dos pacientes em fase pré-cirurgia cardíaca, principalmente os de risco para endocardite e pré-transplante cardíaco, inclui a Odontologia para que o paciente chegue à cirurgia livre de focos bucais", explicou, "um exemplo da relação multiprofissional e multidisciplinar dentro dos hospitais".

Projeto de Lei fala sobre obrigatoriedade de Cirurgiões Dentistas nas UTIs

O Projeto de Lei nº 2.776, de 2008, de autoria do deputado Neilton Mulim (PR-RJ), que atualmente tramita em caráter conclusivo, tem o objetivo de tornar obrigatória a presença de cirurgiões-dentistas em todas as Unidades de Terapia Intensiva de clínicas e hospitais públicos e privados que mantenham pacientes sob regime de internação. Em novembro de 2011 a relatora do projeto, a deputada Erika Kokay (PT-DF), membro da Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), optou pela aprovação deste, e do PL nº 363, de 2011, apensado, com substitutivo, de autoria do deputado William Dib. Em dezembro foi encerrado o prazo e não foram apresentadas emendas. Além desta Comissão de Seguridade Social e Família a matéria será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para o autor do projeto, o paciente internado em UTI deve receber cuidados especiais e constantes que enfoquem todos os órgãos e sistemas, inclusive a cavidade oral. Ressaltando a inter-relação entre doenças bucais e sistêmicas, inclusive infecções hospitalares, afirma que a medida proposta aprimorará o cuidado prestado aos pacientes internados.

Na opinião da relatora, os projetos abordam tema de relevância. Defender e apoiar a prestação de assistência integral de saúde a todos os pacientes consiste em um dos princípios basilares do Sistema Único de Saúde (SUS), expresso tanto na Constituição Federal quanto na Lei nº 8.080, de 1990 - Lei Orgânica da Saúde.

Em seu relatório, a deputada lembrou que "é sabido que a cavidade oral pode abrigar patógenos os mais variados, que colocam em risco a saúde dos pacientes. Faz-se necessário assegurar, portanto, diagnóstico precoce de possíveis patologias bucais, bem como prestação de tratamento adequado.

Mas é importante ressaltar que o PL não tem por objetivo apenas garantir aos pacientes internados a correta higienização bucal, mas sim prestar-lhes o devido atendimento odontológico com vistas a diagnosticar e tratar toda e qualquer patologia bucal que possa contribuir para o desenvolvimento de possíveis infecções. Tal cuidado mostra-se especialmente indicado para o paciente internado, cujo comprometimento clínico pode aumentar sua vulnerabilidade a infecções ou outras doenças, prolongando, assim, o tempo de internação além daquele previamente definido".

Citou alguns hospitais que já fazem esse tipo de atendimento multidisciplinar, como Sírio-Libanês, Hospital Israelita Albert Einstein, etc. Posicionou-se favoravelmente à aprovação dos projetos de lei em debate e sugeriu estender a assistência odontológica também aos pacientes submetidos a regime de internação nos Centros de Tratamento Intensivo - CTIs; aqueles com doenças crônicas acompanhados em regime ambulatorial e, ainda, aos que recebem acompanhamento médico domiciliar na modalidade "Home Care". Para ela, essa medida poderá inclusive prevenir internações hospitalares.

Se o projeto for aprovado e publicado, as instituições de saúde terão o prazo de 180 dias após a publicação para que a Lei passe a vigorar e para contratar os profissionais para prestar os cuidados odontológicos de que trata esta Lei.

Aos interessados nesse nicho de mercado é preciso especializar-se cada dia mais. O trabalho multidisciplinar envolve conhecimento específico e também conhecimento multiprofissional, que também pode ser adquirido com a experiência profissional e o bom relacionamento com a equipe de trabalho.


Fonte: Odonto Magazine